quinta-feira, 25 de abril de 2019

"SUTIÃ GRENÁ" POR TOSTA NETO


      Neblina turva a paisagem. Termômetro próximo de zero grau. Leve chuva cai nas Araucárias. O frio impera na Serra. Os pássaros nem se atrevem a acordar.
    Quarto aconchegante. Ar-condicionado manipula a temperatura. Cama de casal ocupada. Respirações serenas quebram o silêncio do espaço. Corpos esbeltos unidos pelo calor.
     – Bom dia Meu Amor!
     – Bom dia!
     – Tenho uma surpresa para você.
     – Estou curiosa. Adoro surpresas!
     – Um minuto – Carlos afasta-se.
     – Aqui o teu café da manhã.
     – Meu Amor, que surpresa maravilhosa. Amei! – Bruna esbanja felicidade no semblante.
     – Posso tomar café contigo?
     – Claro. Venha.
    Posteriormente ao café, pausa para o banho...
     – Bruna, você gostou da noite de ontem?
     – Não gostei. Amei!
     – Eu também amei.
     – Carlos, você me levou às nuvens. Meu corpo atingiu o ponto máximo do prazer.
     – Eu entrei em êxtase. Tua energia invadiu o meu corpo.
     – Enfim, o nosso primeiro encontro aconteceu.
     – Após meses e meses, estamos aqui. Cheguei a acreditar que jamais iríamos nos ver.
     – Eu também. Afinal, havia várias barreiras que nos separavam. Fico feliz que tenhamos conseguido quebrá-las.
     – Não nego para você que fiquei muito ansioso para este encontro.
     – Eu perdi muitas noites de sono quando havia desentendimento nas nossas conversas virtuais.
     – Essas conversas tinham uma energia ruim, mas o que importa é que nosso sentimento amadureceu. Nossos laços estão mais fortes.
     – Por outro lado, quando as conversas eram apimentadas, eu ficava muito excitada.
     – Conversas quentes. Até parecia que você estava nua ao meu lado. Teus áudios cheios de gemido e provocações me “matavam” de tesão – os batimentos cardíacos de Carlos ficam mais rápidos.
     – Tuas descrições das posições sexuais mexiam na imaginação. Só queria você comigo colocando tudo em prática – os lábios de Bruna começam a ficar mais avermelhados.
     – Sim! Eu descrevia inúmeras posições sexuais, porém a noite de ontem não foi o bastante para te mostrar tudo.
     – Então, fique à vontade para me mostrar agora.
     – Claro que sim Minha Gostosa!
     – Venha. Sou todinha tua.
     – Prepare-se. Vou te dominar novamente. Este território é meu.
     – Sim Meu Homem. Venha me dominar. Venha...
    Abraços carinhosos. Beijos doces e molhados. Línguas entrecruzadas. A excitação sobe. Mãos nas costas. Carícias pelo corpo. Sutiã grená despenca suavemente pelos braços. Lábios deslizam pelas curvas. Movimentos circulares no centro das maçãs. Língua masculina desce pela barriga até pousar na derradeira peça grená. Retorno dos movimentos circulares. Morango intumescido. Gemidos ecoam pelos quatro cantos do quarto. Lábios femininos deslizam pelos músculos rijos. A excitação se eleva no símbolo da 4ª casa do Zodíaco. Corpos enlaçados no ato que procria a existência. Alteração nas posições. Corações acelerados. Calor corporal se amplifica. Gotas de suor se fundem. O perfeito equilíbrio entre as forças masculina e feminina. O líquido da vida escorre. Olhares obtusos. Êxtase! Um suor frio e prazeroso suscita nos rostos. Os corpos relaxam após o apogeu do prazer...
     – Nossa! Avemaria! Realmente, o paraíso existe.
     – Meu corpo ainda está trêmulo.
     – Bruna, nossa química é surreal.
     – Sim Meu Amor!
     – Quero viver eternamente nos teus braços.
     – Creio que a eternidade não seja suficiente. Precisamos de algo além da eternidade.
     – Concordo plenamente contigo.
     – Amor, como ficaremos daqui para frente?
     – Não quero pensar no amanhã. Nosso foco é o agora.
     – Daqui a pouco, você precisa ir para o trabalho.
     – Bem lembrado, mas não irei, pois estarei ocupado.
     – Posso te corrigir?
     – Pode.
     – Estaremos ocupados!
   – Sim Minha Mulher! Muito ocupados. Quero morrer de prazer nos teus braços.
     – Venha! Venha Meu Homem! Morra de prazer nos meus braços. Depois eu te ressuscito com beijos bem quentes.
     – Morrerei sim! A morte não será capaz de interromper a nossa eterna noite de prazer.
     – Amém!
     – Amém!
  Travesseiros desalinhados. Coberta no chão. Lençóis amarrotados. Roupas espalhadas pelo quarto. Sutiã grená na borda da cama...

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