sábado, 20 de abril de 2019

“A HUMANIDADE CHORA POR NOTRE-DAME” POR TOSTA NETO


Segunda-feira, 15 de abril de 2019, a humanidade estupefata testemunha o incêndio na Catedral de Notre-Dame. Em Paris, os transeuntes relutavam a acreditar no fogo infernal que consumia um diamante rosa da arquitetura gótica medieval. Notre-Dame, patrimônio da humanidade, um dos pontos turísticos mais visitados da Europa, ostenta o título de maior símbolo do catolicismo na França. Homenagem a Virgem Maria, construção iniciada em 1163 e finalizada em 1345, é um legado da magnífica arte arquitetônica dos tempos medievais. O inconfundível estilo gótico encanta a todos diante de tamanha imponência. 
Concebida na Baixa Idade Média, Notre-Dame atravessou os séculos. O esplendor arquitetônico da icônica catedral demonstra o quão a Idade Média foi um período fascinante da história da humanidade. Não repitamos o erro grosseiro que a Idade Média foi a “Idade das Trevas”; sabe-se que houve produção filosófica, científica, literária e arquitetônica. Na Baixa Idade Média ocorrera o fortalecimento do comércio, ocasionando o acúmulo expressivo de recursos, status que teve reflexo na proliferação de igrejas góticas no período histórico em questão. O estilo gótico é arrojado nos detalhes, além da proeminência de torres que aparentemente invadem o firmamento. 
Notre-Dame foi o palco da coroação de muitos reis franceses, porém a mais emblemática aconteceu no século XIX. Em 1804, Napoleão Bonaparte toma a coroa do Papa Pio VII e autoproclama-se Imperador da França. Este gesto simbólico limitou a interferência da Igreja Católica nos assuntos políticos, corroborando com o ideal de laicização do Estado preconizado pelos filósofos iluministas e revolucionários franceses. Outro episódio inexorável em Notre-Dame foi a cerimônia de beatificação de Joana d’Arc, heroína na Guerra dos Cem Anos que fora elevada ao posto excelso de Padroeira da França.
Estimado Leitor, não posso finalizar este artigo sem citar o clássico O Corcunda de Notre-Dame de Victor Hugo, romance publicado em 1831, cujo personagem principal o coxo e corcunda Quasímodo, guardião dos sinos de Notre-Dame, apaixona-se pela cigana Esmeralda, esta por sua vez, enamora-se pelo capitão Phoebus de Châteaupers. O Corcunda de Notre-Dame é uma obra-prima da literatura francesa do século XIX. Assim como inspirou Victor Hugo, Notre-Dame continuará a inspirar muitas gerações. O nefasto incêndio não será capaz de aniquilar a suntuosidade de uma “Joia da Coroa” da arquitetura universal.
No século XX, Notre-Dame passou incólume na Primeira Guerra Mundial e na ocupação nazista da França na Segunda Guerra. Este incêndio já é uma das principais chagas dos tempos contemporâneos. Antes mesmo do fogo ser controlado pelos intrépidos bombeiros, alguns bilionários ofertaram quantias vultosas à reconstrução da catedral. A projeção mais otimista estima que o trabalho será efetuado em 5 anos. O espanto, a grandiosidade e a admiração que cercam Notre-Dame serão molas propulsoras no processo de reconstrução. Aguardemos a mente engenhosa e a fé inesgotável da humanidade colocarem “as mãos na massa”. Tal qual a Fênix, Notre-Dame renascerá literalmente das cinzas. Enfim, caberá ao século XXI o nobre papel de reconstruir uma das grandes maravilhas geradas pela sapiência humana.


(Tosta Neto, 20/04/2019)

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