quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

"TOALHA AO CHÃO" POR TOSTA NETO


    Nelson, 25 anos, funcionário público, morador de uma pacata cidade do interior, absorto e inquieto, foi abduzido pelo casamento ainda na tenra adolescência. Apesar de ser nutrido pelo espírito livre, cedeu à persuasão insana dos pais e afogou-se no matrimônio. Elza é uma boa esposa; de vez em quando, era acometida por picos incontroláveis de ciúme. Nelson tinha carinho e respeito por ela, mas não sentia aquele amor incondicional que se fala por aí.
    Queixava-se com os amigos: “não tive adolescência!” A vida de casado o deixara entediado. Reclamava: “não aguento mais! Toda vez que saio tenho que dar satisfação. Para onde vou? Com quem vou? Que horas vou voltar?” Lá no fundo, Nelson sentia inveja dos amigos solteiros que gozavam da plena liberdade. Desabafava: “praticamente, casei com a primeira mulher que apareceu na minha frente. Estou estressado! Não aguento mais dormir e acordar com a mesma mulher todos os dias.”
    Os 25 anos de existência não apagaram a energia juvenil no coração de Nelson. Sonhava com a liberdade. Imaginava mil e uma mulheres lhe beijando. Estava cansado daquela vidinha previsível: casa, trabalho, trabalho, casa. Porém, a semente do adultério ainda não brotou na sua mente.
    O casal não tinha filho. Elza argumentava que não estava preparada para ser mãe. Ademais, a ideia de paternidade nunca esteve na pauta de prioridades de Nelson; o tédio que o torturava foi quebrado por uma visita inesperada.
    Aninha foi passar as férias na casa da tia Elza. Adolescente na flor da idade, moreninha, corpinho esbelto, cabelos pretos e curtos, aparentemente tímida...
    – Ela é a minha sobrinha mais nova, filha de Dalva; vai ficar aqui em casa nesse período de férias escolares. Aninha, não fique envergonhada. Cumprimente o tio.
    Bastante acanhada, Aninha estendeu a mão para Nelson, que retribuiu o gesto:
    – Aninha, seja bem-vinda!
    – Obrigada.
    – Aninha, você vai ficar naquele quarto – apontou Elza.  
    Nos três dias subsequentes, não houve mudança no estado de ânimo de Nelson. O marasmo continuava a irrigar sua vida. Todavia, no quarto dia, tudo mudou. Aninha começou a usar roupas curtas: blusas e shorts que delineavam o atraente corpinho. A priori, Nelson nem prestava atenção, até que, presenciou Aninha deitada no sofá assistindo televisão. Nelson foi vaporizado por aquela cena. Mente agitada. O instinto sexual o sacudiu.
    – Tio Nelson, sente aqui. Venha assistir TV comigo! Tia Elza foi ao mercado – Aninha falou cada palavra com muita sensualidade.
    Estático e meio desconcertado, Nelson não sabia como responder. Falou a primeira frase que veio na cabeça.
    – Agora não posso.
    – Por quê?
    – Porque não – respondeu Nelson com pouca convicção.
    Naquela noite, Nelson teve uma terrível insônia. Não conseguia parar de pensar em Aninha. Tomou um chá de camomila e pegou no sono na alta madrugada. O sol raiou. Elza dormia. Nelson levantou e foi tomar banho. Ao passar pelo corredor, a porta do quarto de Aninha estava entreaberta. Subitamente, ele parou e não acreditou no que viu. Aninha estava em pé, apenas de calcinha, fazendo poses para o espelho. O coração de Nelson acelerou. As pernas ficaram trêmulas. Desistiu do banho matutino e foi direto para o trabalho.  
    Os colegas de funcionalismo público foram unânimes ao comentar: “você está no ‘mundo da lua’ hoje. Aconteceu alguma coisa?” Nelson respondia com o silêncio. A surpreendente cena da manhã estava mui vívida. Ele não parava de pensar nos seios pequenos e pontiagudos de Aninha. Quando estava em casa, longe dos olhares de Elza, Aninha sempre dava um jeito de provocá-lo. O jogo de sedução da lasciva adolescente o colocou num turbilhão de dúvidas, moralismo e apetite sexual. Nelson não sabia até quando suportaria tudo isso. Falava consigo mesmo: “Meu Deus! Dai-me força! Preciso aguentar.”
    Neste ínterim, Elza matriculou-se num curso profissionalizante. No final da tarde, quatro vezes por semana, ela ia para o curso, justamente no horário que Nelson chegava do trabalho. No primeiro dia, Aninha o recebeu; para sua surpresa, a lasciva adolescente cessou o jogo de sedução. Nelson sentiu falta; ficou meio frustrado. Questionava: “logo hoje que estamos sozinhos. Ela não fez nada.” Preocupado e pensativo, Nelson não conseguia dormir. O mundo caiu. Ele imaginava incontáveis fantasias com Aninha. Concluiu: “tudo foi uma ilusão.”
    O dia de trabalho foi péssimo. Nelson tomou o rumo de casa. No caminho, parou no bar para tomar uma cerveja. Sem expectativa, bateu na porta. Ele nem imaginava o que viria pela frente...
    Apenas de toalha, Aninha abriu a porta e falou de forma pausada e sensual:
    – Sou todinha tua.
    – Menina, venha cá! Você vai ver!
    Nelson pegou na cintura de Aninha e a levou até a parede. Beijou-a loucamente. Língua no pescoço e nas orelhas. Toalha ao chão. Ela estava nua. Nelson pegou a adolescente no colo, levou-a ao sofá e disparou milhões de beijos no corpinho esbelto. Em seguida...
    Aninha foi embora. Nelson foi feliz naqueles dias. Sentiu novamente nas suas entranhas o vigor da vida. A energia adolescente regressou ao seu corpo. Ele poderia ficar deprimido com a partida da lasciva sobrinha da esposa, mas ficou sereno, pois tinha uma visão estoica sobre a vida. Sem Aninha, voltará ao velho tédio da vida de casado. Lembrou duma frase que um amigo lhe falara: “quando se é feliz por um dia, é o mesmo que viver um ano.” Esta frase lhe concedeu força e alento. O que Nelson podia fazer? Nada! Somente rezar e rezar para que Aninha retorne nas próximas férias escolares.

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