quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

“BUDISMO, UMA RELIGIÃO SEM DEUSES” POR TOSTA NETO


A religião é uma temática que suscita várias reflexões, das mais abissais até aquelas imiscuídas de opiniões do senso comum. O componente religioso é imprescindível para compreender a humanidade na sua plenitude. É na religiosidade que cada povo se autodetermina, desde a cosmogonia ao enigma do pós-morte. Quiçá a religião seja a principal identidade de um povo. A religiosidade é o “porto seguro” que amaina as angústias do vazio da existência e objetiva conceder sentido à vida.
Quase que de forma natural, quando a palavra religião é proferida, de imediato vem à tona a figura de deus ou deuses. Religião e divindades são faces da mesma moeda, porém, o Budismo evade desta regra. Como é possível uma religião sem seres divinos? Responde-se a supracitada pergunta com o devido conhecimento dos preceitos de Buda. O leitor desavisado, talvez ache que o Budismo tenha nascido na China, no Japão ou na Coreia. Esta religião milenar nasceu na Índia, fundada pelo príncipe hindu Sidarta Gautama. O Budismo é uma extensão do Hinduísmo, outra religião fascinante e rebuscada de simbolismos.
Sidarta Gautama nasceu numa corte ao sul do atual Nepal. Cercado de todo luxo, o jovem príncipe não conhecia a realidade do povo; sua percepção de mundo se resumia às imediações internas do palácio real. Certa vez, afetado pela ausência de espiritualidade, Sidarta abandonou tudo e saiu pela Índia para apreender de fato a essência das coisas. Obviamente, influenciado pelos preceitos hindus, o jovem príncipe vislumbrou na transcendência espiritual um meio para atingir o significado da existência. Ao não cultuar os deuses, guarnecer o poder da meditação e buscar o sentido da vida no próprio âmago, Sidarta Gautama fundou uma nova religião.
Após inúmeras peregrinações e êxtase transcendental, Sidarta atingiu o Nirvana, que no Budismo é o estado supremo de paz espiritual. Sidarta recebeu o título de “Buda”, que em sânscrito (língua sagrada da Índia) quer dizer “Iluminado”. Portanto, os budistas não cultuam Buda, que é tão somente uma referência espiritual; no Budismo, o Panteão dos Deuses está vazio. Indubitavelmente, Buda fizera uma das maiores revoluções espirituais da história da humanidade.
Quem não conhece o Budismo pode achar inconcebível a existência duma religião desprovida de deuses. Buda provou que é possível e nos legou o dharma (conjunto das verdades nobres que conduz o ser humano ao Nirvana). Embora o autor que vos escreve reconhece a grandiosidade das religiões teístas. Vale salientar que alguns aventureiros do pensamento bradam nos quatro cantos a necessidade de aniquilação da religião. A questão não é tão simplória; a religião é o mito fundador da humanidade e estabelece regras que zelam pela paz e ordem social. Não entremos em discussões ocas e oportunistas que definem a religião como a pior invenção da humanidade. Nossa vida é um emaranhado de tormentas, por conseguinte, precisamos do apoio das religiões para completar a perigosa e apaixonante travessia da existência.


Tosta Neto, 24/01/2019      

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