sexta-feira, 6 de julho de 2018

Escolas na Holanda têm autonomia para aplicar currículo, e pais de escolher a linha de ensino dos filhos


Governo mantém escolas públicas e também financia instituições privadas; G1 publica série de reportagens sobre como a Holanda ficou no topo do ranking de crianças mais felizes.

Por Mariana Timóteo da Costa, GloboNews, Amsterdã, Haia e Roterdã
 


O sistema educacional holandês é complexo. Desde 1917 o governo, que mantém escolas públicas, financia igualmente instituições privadas. Com os anos, foram surgindo mais escolas privadas do que públicas, com os pais continuando sem pagar nada pela educação, que é obrigatória dos 4 aos 18 anos.

Apesar de contar com um base curricular comum, essas escolas têm muita autonomia para escolher que linha seguir. Escolas religiosas recebem o mesmo tratamento. Ou seja, há escolas de graça para todos os gostos.

“Acho isso incrível porque dá liberdade aos pais e aos educadores”, conta a escritora Bianca Boer, moradora de Roterdã, que optou por educar a filha Rebecca, de 7 anos, numa escola Montesori.

Escola secundária
Depois dos anos de educação primária, a criança já vai para a escola secundária. Nos três primeiros anos, existem várias disciplinas que são obrigatórias, mas a forma com que se ensina depende de cada instituição.

“As escolas têm muita autonomia para escolher como ensinar”, diz a educadora Monique Van Schaik, que dá aulas numa escola chamada Cartesius, de cerca de 200 alunos de 12 a 18 anos, localizada no centro de Amsterdã.

Há escolas que optam por mais provas e mais livros, outras por menos provas e mais computadores. A Cartesius, por exemplo, aboliu as provas.

Assim, os alunos são encorajados a fazer muitos trabalhos, individuais ou em grupo, e passam por constantes feedbacks, de professores e dos próprios colegas de classe. Podem ser classificados de acordo com os níveis de conhecimento deles para cada disciplina: básico, especializado ou expert.

“Todos gostam de ser experts e trabalham duro por isso”, comenta Dirric, um aluno de 13 anos, fã de biologia.

A escola tem cerca de um professor para cada 28 alunos e cada estudante possui seu próprio computador, ninguém tem livros e tudo é digitalizado. Os alunos têm aulas de pelo menos quatro idiomas e aprendem programação e desenho.

Desde os 13 anos os alunos têm aula de filosofia, pesquisa e desenvolvimento de projetos, pensamento computacional, educação sexual, cidadania.

Aos 15 anos todos os alunos passam por um grande teste nacional, em que são testados tanto conteúdo básico, como as chamadas habilidades sócio-emocionais da criança, sua capacidade de articulação e de resolver problemas.

Esses testes são um desafio à parte para os educadores, lembra Monique, “porque cada escola ensina de um jeito”.

Cada jovem possui seu currículo escolar, que será determinante para que ele entre numa universidade de sua escolha. Ainda contribuem para o currículo a participação dos jovens no ambiente escolar. Quem tem habilidades específicas, como andar de skate, por exemplo, é encorajado a ensinar a prática aos amigos, em troca de bons feedbacks e avaliações.

Pode-se ir direto para a universidade ou, no caso dos alunos com avaliações piores, ir para um ensino superior conhecido como “escola técnica”, onde pode-se especializar numa disciplina que possibilite-os trabalhar ou ganhar créditos para mais tarde cursar uma universidade.

As universidades são particulares, mas bem mais baratas do que no restante da Europa – empréstimos de longo prazo são dados a juro zero para qualquer cidadão europeu.

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