quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

"Que tiro foi esse: a Música do Século" por Tosta Neto


Prezado Leitor, o século XXI está bem distante de seu fim, todavia minha intuição musical me diz que dificilmente surgirá uma canção que supere a grandiosidade do clássico Que tiro foi esse, interpretado pela transcendental Jojo Todynho. Essa obra-prima da música brasileira foi consagrada como hit do Carnaval. Em cada rincão, nos blocos de rua e nos trios do carnaval soteropolitano, Que tiro foi esse foi entoada efusivamente pelos foliões. O refrão marcante fica “martelando” no inconsciente coletivo, induzindo o indivíduo a cantá-lo de forma deveras espontânea.
Se tu permitires Caro Leitor, realizarei uma análise da melodia do novo e insuperável clássico da MPB. Notoriamente, o campo melódico é riquíssimo, composto de vários acordes dissonantes de rara beleza. Quem conferir a partitura de Que tiro foi esse ficará estupefato com a enorme quantidade de notas e semicolcheias. Eu, mero mortal, tentei tocar essa música no violão, porém perante tamanha complexidade hercúlea, acabei desistindo de tal empreitada. Qualquer crítico musical imparcial concluirá de maneira insofismável que Que tiro foi esse está no patamar da 5ª Sinfonia de Beethoven e das Quatro Estações de Vivaldi. Se Mozart e Bach estivessem vivos, teriam inveja da beleza harmônica do clássico em questão. Indubitavelmente, a Orquestra Sinfônica de Berlim ficaria mui lisonjeada em executar Que tiro foi esse.
Ademais, não posso me furtar de analisar a letra. Compreensivo Leitor, confira a graciosidade dos versos: “Que tiro foi esse? Que tiro foi esse que tá um arraso?! Que tiro foi esse, viado? Que tiro foi esse que tá um arraso?! Samba, na cara da inimiga, vai samba, desfila com as amigas...” É muita poesia! O eu-lírico denota a angústia existencial da humanidade sobre a violência e a inveja. Os autores deveriam ganhar o Prêmio Nobel de Literatura e, por tabela, conquistar cadeiras cativas na Academia Brasileira de Letras. A ordem dos versos está coadunada ao rigor estilístico do Parnasianismo. Olavo Bilac aplaudiria esta proeza poética. Atrevo-me afirmar que o trecho supracitado irá superar o encanto dos versos de Camões no soneto Amor é fogo que arde sem se ver...
A “Música do Século” foi potencializada pelo talento inato e inquestionável de Jojo Todynho, sem dúvida, a maior revelação musical nos derradeiros anos. Cantora carismática com uma voz privilegiada pela natureza, equivalente a divas do naipe de Ella Fitzgerald, Dionne Warwick e Whitney Houston. Hoje, podemos asseverar com toda tranquilidade, que Jojo Todynho é um patrimônio da música brasileira; cantora revolucionária que quebrou todos os paradigmas da arte de cantar. Não seria exagero colocar Jojo Todynho no nível de Elis Regina, Maria Bethânia, Gal Costa e Nana Caymmi. A intérprete de Que tiro foi esse é um exemplo emblemático da magnífica e iluminada fase da música brasileira, trazendo consigo outros artistas titânicos como Anitta, Pablo Vittar, Lucas Lucco, etc.
Que tiro foi esse realiza uma crítica abissal e contundente à violência; a genuína denúncia sobre o caos social que nosso país enfrenta. Além disso, a canção traz uma linguagem regionalista típica do Rio de Janeiro. A letra da “Música do Século” já está no panteão das grandes obras clássicas da Literatura Brasileira. Com o sucesso estrondoso no Carnaval, Que tiro foi esse poderia ser elevada à categoria de hino nacional, haja vista a identificação do “povo” ao seu ritmo marcante e sua letra rebuscada. Sabe-se que certas músicas são passageiras, mas Que tiro foi esse nasceu condenada à eternidade. Bendita a nação que tem Que tiro foi esse como ícone musical.

Tosta Neto, 15/02/2018

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